COMUNICADO

grande_oriente_lusitanoO Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa não é uma organização que deva, enquanto tal, tornar públicas intervenções sobre questões da Nação, de caráter social, económico e, sobretudo, político.

O Grande Oriente Lusitano é uma instituição humanista, um espaço de sociabilidade onde os seus membros exprimem uma multitude de visões que interiorizam e defendem na sua vida e nas suas atividades, em torno de valores como o amor à Pátria, o respeito pelo Estado de Direito e pelo Estado de Justiça, pela Liberdade, e ainda pela tolerância das diversas crenças e opiniões – mas rejeitando fundamentalismos de qualquer espécie –, a justiça social e distributiva condigna, a solidariedade, a igualdade de oportunidades, uma conduta ética e social de honradez e de prevalência do interesse público sobre o interesse privado, enaltecendo o mérito do trabalho manual e intelectual.

Por isso mesmo, por ser um centro de união de pessoas de todos os pensares, é que, por respeito a cada um, não assume, por princípio, intervenções públicas. A não ser que, excepcionalmente, estejam em causa valores que lhe são basilares, como a Liberdade, que não estão imunes a ameaças na Europa em geral e em Portugal em particular. Não obstante, os maçons membros do Grande Oriente Lusitano são livres para levar a cabo quaisquer tipos de intervenções na esfera pública norteados pelos valores de referência desta organização.

O paradigma civilizacional está a mudar no mundo contemporâneo, bem como no projecto europeu pós-guerra e no Portugal democrático, onde os maçons foram alma fundacional. Estas mudanças repercutem-se tanto na esfera individual como na comunitária, com recuos no bem-estar dos cidadãos.

É inegável o sofrimento que assola a maioria dos portugueses, agravado pela ausência de sinais de esperança no futuro. O desemprego, a fadiga depressiva, o mal-estar geral a que assistimos no nosso país, a que políticas interdependentes durante anos nos conduziram, não podem deixar ninguém indiferente.

As declarações dos Direitos do Homem, incluindo a Convenção Europeia e os direitos constitucionalmente avançados, nomeadamente quanto às mulheres, relembram que a dignidade é fundamental para o ser humano e visam prevenir qualquer forma de atentado à integridade física e mental, opressão ou discriminação arbitrária. Sublinham, ainda, que o reconhecimento da dignidade de todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constituem os fundamentos da Liberdade, da Justiça e da Paz.

Em nome de todos os valores que sempre defendeu e defende, em nome do laço capital entre a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, o Grande Oriente Lusitano apela a toda sociedade civil, forças políticas, morais e filosóficas que, num acto de cidadania activa e no espaço público, debatam e ajam de forma a que os rumos que Portugal e a Europa trilham salvaguardem o que de mais importante existe: a dignidade humana.

Grande Oriente Lusitano

Grão-Mestre 
Fernando Lima

Lisboa, 18 de Dezembro de 2012

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