João Domingos Bomtempo

Quinta feira, dia 27 de setembro, a Assembleia da República vai realizar uma sessão de homenagem a João Domingos Bomtempo.

Esta homenagem conta com uma intervenção de Laureano Carreira e Gabriela Canavilhas e uma atuação de músicos do Conservatório de Lisboa.

Nascido em Lisboa, em 1775, e aqui tendo falecido em 1842, era filho de Saverio Bomtempo, músico da corte, vindo a estudar primeiro no Seminário da Patriarcal, em Lisboa, depois em Paris, tornando-se um dos mais importantes compositores portugueses. A sua passagem por Paris, em 1801, não é alheia às suas motivações políticas, sabendo-se que ali fez sucesso como pianista e conhecendo-se a sua grande amizade com Filinto Elísio. Homem de cultura, movia-se com algum à vontade nos meios culturais de Paris e Lisboa, sendo particularmente apreciado e ouvido na Salle Olympique, em Paris. O seu nome aparece ligado a Dussek e a Clementi, sendo através deste último que publica, em Itália, uma parte significativa da sua obra.

Em 1813 apresenta-se em Londres com o seu Hino Lusitano, uma cantata celebrando a expulsão das tropas napoleónicas do território português. Regressa a Portugal, em 1815, com a ideia de fundar uma sociedade musical à semelhança da London Phillarmonic Society. Rapidamente conhece a desilusão face à presença das tropas inglesas em Portugal, que por cá tinham ficado depois da expulsão dos franceses. A sua vida divide-se entre Lisboa e a Europa do seu tempo, agitada politicamente, mas é neste ambiente que compõe a sua obra prima, o Requiem. Op.23dedicado à memória de Camões e visto como um dos Requiem mais importantes, composto entre o Requiem de Mozart, de 1791, e o de Berlioz, de 1837. Em Portugal, após a Revolução de 1820, compõe uma Missa em memória de Gomes Freire de Andrade e dos mártires de 1817. É nesta altura, em Agosto de 1822, que consegue criar a sua Sociedade Filarmónica, na Rua Nova do Carmo, onde o Grande Oriente Lusitano teve instalações. Sabe-se que Domingos Bomtempo foi iniciado maçon, embora se desconheça a data, a Loja e o local, sendo Paris ou Londres, duas fortes hipóteses.

Vindo a ser perseguido pelos seus ideais liberais durante o período miguelista, teve mesmo de se refugiar no consulado da Rússia em Portugal. Após o triunfo liberal foi professor da rainha e, em 1836, no âmbito do Conservatório Geral de Arte Dramática, preconizado por Almeida Garret, foi entregue a Bomtempo a direcção da sua Escola de Música.

In www.gremiolusitano.pt

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