Fernando Valle

Fernando Valle retratado por Bottelho

Fernando Baeta Cardoso do Valle (Cerdeira, 30 de Julho de 1900 — Coimbra, 27 de Novembro de 2004, médico, político português, fundador histórico do Partido Socialista Português.

Médico de Arganil, Maçon, Republicano Socialista, uma figura incontornável da República Portuguesa. Republicano de sempre, foi um destacado opositor ao Estado Novo. Esteve no “reviralho” e nas campanhas de Norton de Matos e Humberto Delgado. Escondeu em sua casa “clandestinos” perseguidos pela Polícia Política. Atendeu na Serra de Arganil graciosamente quem procurava os seus cuidados médicos. Membro fundador do PS, quando a democracia chegou poderia ter sido o que ele quisesse- assim o disse Almeida Santos. Apenas aceitou o convite para ser Governador Civil de Coimbra, era preciso consolidar o regime democrático e Fernando Valle sabia-o bem – tinha visto cair a I República. Quando os estudantes da Universidade saiam à rua ou vinham ao seu gabinete ouvia-os e quando necessário lembrava-lhes que não há aqui ninguém mais á esquerda que eu. Depois voltou para sua Coja (Arganil) e continuou a exercer “Humanidade”.

No final da sua vida teve ainda força para manifestar o seu incomodo com a emergente liderança do PS. Depois de Sócrates subir ao poder não teve pejo em afirmar ao “Comércio do Porto”: O Bloco de Esquerda é uma esperança para mim. Quase me apetecia votar neles, só não o faço por compromissos anteriores. Os seus confrades maçons dizem que partiu para o Oriente Eterno. Há quem diga que permanece vivo na memória dos homens e mulheres que, como ele, teimam em cultivar a Fraternidade.

Uma vida inteira dedicada a lutar ‘pela libertação do homem … um regime de direito em que seja possível, de facto, a paz, a liberdade e a justiça social’.

Fernando Vale foi Maçon, iniciado em 1923 na Loja “A Revolta” de Coimbra – Loja do R.F. fundada em 1909 (ao fim de 100 anos permanece ainda em actividade), foi integrada no G.O.L.U. em 1911, tendo recebido o nº336 -, com o nome simbólico de “Egas Moniz”. Atingiu altos postos na Maçonaria, e pertenceu ao “Soberano Grande Capítulo de Cavaleiros Rosa-Cruz” (reactivado em 2003), mais tarde potência maçónica, (a 5 de Setembro de 2003) “Grande Capítulo Geral do Rito Francês de Portugal”.

In Wikilusa.com 2011-11-03

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