São João e a Maçonaria

João Baptista

São João e a Maçonaria

História e Ritual das duas figuras bíblicas presentes nos rituais simbólicos da Maçonaria, uma prancha de instrução do M:. M:. Montesquieu.

História e Ritual. É tradicional estarem as lojas simbólicas sob os auspícios das duas figuras bíblicas designadas correntemente como São João (embora também se venere, subsidiariamente, o terceiro João, também evangelista, mais conhecido como Marcos(1)). No item XXII dos Regulamentos Gerais das Constituições de Anderson, de 1723, recordam-se os dias mais festivos dos maçons operativos: o mais sagrado é o de São João Batista, em 24 de Junho, mas logo, em segundo lugar, o de São João Evangelista, em 27 de Dezembro. Aliás, como é bem sabido, a Grande Loja de Londres foi precisamente fundada em 24 de Junho de 1717. Em 1721, o cânone dos dois dias solenes foi confirmado em Inglaterra. Em 1736, Lord Sinclair (ou Guilherme, na verdade Guillaume, ou seria William?, Saint-Clair de Roslin), protector hereditário das oficinas da Escócia, abdicou da prerrogativa que possuía e, concentrando-se numa única loja especulativa maçons antigos e maçons aceitos, formou-se uma Grande Loja que alguns consideram sob protecção de São João de Edimburgo (e outros de Santo André da Escócia) (2).

Em 1771, os Estatutos e regulamentos da Muito Respeitável Grande Loja de França consideram João Baptista Patrono da Ordem, reservando particular solenidade às sessões do dia respectivo (3). Em textos franceses do séc. XVIII, conforme Guillemin de Saint-Victor (1787), havia mesmo um diálogo ritual:

“- A quem era dedicada a loja em que haveis sido recebido?
– A São João Baptista.”

Como sabemos, hoje uma das fórmulas pode ser algo como:
“- Meu Irmão, de onde vindes?
– Da Loja de São João, Venerável Mestre.
– Que se faz na Loja de São João?
– Levantam-se Templos à virtude e (es)cavam-se calabouços para os / aos vícios (ou masmorras aos vícios).”

Mantendo-se assim formalmente a ambiguidade.

Mas há variantes: No rito de Memphis-Misraim se comprova que o simbolismo ultrapassa a verosimilhança histórica, num sincretismo criador. Atente-se no diálogo correspondente:

“- Donde vindes?
-Do velho Egipto, Venerável Mestre, e duma loja de São João” (4).

No Brasil, por exemplo, um ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito abre os trabalhos Loja em nome do Grande Arquitecto do Universo e de São João da Escócia (5), aparentemente em alusão à Loja fundada em Marselha em 1751, e loja mater do rito escocês filosófico.

Algum enigma paira ainda sobre o São João invocado na abertura dos trabalhos. Mesmo uma obra exaustiva, como a de Pozarnik, que dedica apenas a essas poucas linhas do ritual quase 400 páginas em bom formato, não parece dizer uma palavra sobre o assunto (6)…

Com a invocação de ambos os São João, a maçonaria retoma assim um processo histórico-espiritual, que lhe não é aliás privativo: o de sacralizar (embora de uma forma própria) o já sacralizado. Do mesmo modo que o cristianismo tinha feito coincidir as suas festas com as datas dos solstícios, sendo no de Inverno a festa em honra do deus Mitra (25 de Dezembro), esse que, segundo Renan, poderia ter sido (e ser ainda) o deus da civilização ocidental acaso o cristianismo tivesse tido algum acidente de percurso (por exemplo: se não tivesse existido o imperador Constantino (7) ). Aliás, as nossas repúblicas usam o mesmo barrete frígio que Mitra usava…

A asserção de Renan talvez possa ser provocatória, mas impele à reflexão. Contudo, estas celebrações são mais antigas que o próprio Mitra, porquanto recuam ao tempo das primeiras iniciações, o Egipto, na Grécia, em Roma (8), e muito plausivelmente noutros lugares…

Simbolismo. Uma das possíveis interpretações para a presença do Baptista e do Evangelista na Maçonaria acaba por reportar-se, ainda que imperfeitamente, aos “dois braços” da mesma. O interessante é que sempre há dois braços (mesmo em cada um deles, numa dialéctica constante, infinita), como as duas serpentes do caduceu, como os mosaicos negro e branco do pavimento do Templo. Mesmo no contexto do esoterismo há o braço “místico”, da devoção e da meditação, caminho do deserto, solitário e menos “racional”, caminho do coração, e o braço “ocultista”, caminho mais racional, da vontade e da disciplina do intelecto.

Não se podendo dizer que um João é uma coisa e o outro é outra, o que à primeira vista ressalta será que o Baptista é o grande iniciado (9), e o Evangelista o grande iniciador. Mas, notemos: nenhum iniciador o é sem ter sido iniciado, e a vocação do iniciado é a de iniciar também. Por outro lado, é possível que o carácter de João Baptista esteja de alguma forma empalidecido pela tradição (e pelo texto) bíblico, no qual faz figura sobretudo de precursor. Para outras tradições, não canónicas, João Baptista é sobretudo Mestre, e Mestre desde logo de Jesus…

Contudo, pelo que nos chegou mais exotericamente, o simbolismo associado ao Baptista é o do aprendiz. E o maçom é eterno aprendiz, por muitos graus que alcance – dizem-no os melhores dos mestres. Nas suas errâncias pelo deserto, o Baptista assume também a sina do companheiro, que é viajante. Já o simbolismo do Evangelista é, segundo alguns, cabalístico, e só isso poderia revelar o mestre.

João Baptista e João Evangelista são mesmo comparados por Pike às duas colunas do Templo, ultrapassando a teoria, vinda do rito de Iorque, para a qual eles se podem associar aos trópicos de Câncer e de Capricórnio, que o sol visita nos solstícios de Verão e Inverno. Com efeito, nesse rito, há um círculo enquadrado por duas linhas que representam o Baptista e o Evangelista, e em cima é colocada a Bíblia. “Indo ao redor deste círculo”, dizem, “necessariamente tocamos estas duas linhas assim como as Sagradas Escrituras, e enquanto um Maçon se mantiver circunscrito dentro dos seus preceitos é materialmente impossível que erre” (10).

A comparação com as duas colunas da entrada do Templo não pode deixar de nos lembrar o simbolismo trans-ritual entre a posição relativa das colunas (ou a perspectiva do olhar para elas) entre o Rito Escocês Antigo e Aceito e o Rito Francês. E isso nos revela o próprio sentido da palavra João, que, numa das etimologias mais correntes, quer dizer porta, início, entrada (11), e que se associa ao deus Janus, deus do mês Janeiro, e das entradas e saídas das cidades, representado com dois rostos.

Parece haver algum dogmatismo nesta afirmação, mas o problema é saber, simbolicamente, o que representa estar entre São João Baptista e São João Evangelista. Se já um é modelo, que fará dois.

João Baptista. João Baptista é anunciador, profeta (e mais que profeta, diz Jesus), endireitador de veredas, e mártir (que dá testemunho).

A literatura profana, porém, em geral pouco ou nada acrescenta ao mito, apesar de sobre a personagem ter sido utilizada por Oscar Wilde, e, no teatro lírico, por Massenet e Richard Strauss.

Importa recordar a atitude intransigente do Baptista face aos poderes, que prefigura o combate à tirania, apanágio da Maçonaria. Como diz o mesmo Albert Pike,

“Quanto mais sábio se torna um homem, menos inclinado está a submeter servilmente a sua consciência ou a sua pessoa às cadeias e ao jugo. Pois ao aumentar da sua sabedoria não apenas conhece melhor os seus direitos, como além disso os tem em maior estima, e é mais consciente do seu valor e dignidade. O seu orgulho impele-o a afirmar a sua independência e esse mesmo orgulho é do mesmo modo mais capaz de a defender. E também mais capaz de ajudar o próximo e ao seu país quando tudo está em jogo (…) na defesa da liberdade” (13).

Mas recuemos, porque tudo é símbolo na vida do Baptista.

João Baptista, filho do sacerdote Zacarias e Isabel (prima de Maria, mãe de Jesus), ao que parece ambos estéreis, é considerado “filho do milagre”. Como o neófito, ele nasce e não seria esperado que nascesse. Depois, tal como na iniciação, Baptista é anunciado por um anjo (um mensageiro) no templo. Ele é também anunciador… é uma ponte entre o velho e novo (também entre o Antigo e o Novo Testamentos Bíblicos), como o neófito.

Toda a pregação do Baptista (que se retira escassamente vestido, para o deserto) vai no sentido do arrependimento, logo, da renovação da vida. O próprio baptismo, que pratica, nas águas do Jordão, é um ritual de renascimento. Mas João considera-se apenas uma voz que clama no deserto, e um anunciador de um maior, em relação ao qual se apagará, dizendo-se mesmo nem sequer digno de lhe desapertar a fivela das sandálias…

O recipiendário vai para as suas provas cego e filho da morte, afinal “improvável”, mas acabará, se as superar com êxito, por renascer, recebendo a luz.

A sua permanência na caverna no seio da terra, que é representada pela câmara das reflexões, devendo ser de profunda meditação, equivale à permanência no deserto. Também durante as provas o recipiendário se encontra despojado de metais e nem nu nem vestido, tal como se pensa que andaria João Baptista, coberto apenas por uma pele de cordeiro.

Do mesmo modo, o silêncio em geral imposto ao aprendiz tem paralelo com o silêncio no deserto. O qual depois se volverá, tanto para o Baptista, como para os maçons em geral, por uma reconhecida eloquência. Aliás, ao sinal gutural, que exotericamente evoca um juramento simbólico, e esotericamente remete para o sigilo como dever de todo o iniciado (13), foi também já dado o significado de uma forma de energização do plexo laríngeo, acabando por se poder sem dificuldade interpretar, quando se está a falar de pé e à ordem, no grau de aprendiz (mas se não é aprendiz), que tal posição significa duas coisas: incomodidade de postura, para obrigar à concisão, e apoio laríngico, para potenciar a eloquência. Verdadeira ou não, esta explicação converge com o efectivo à vontade oral dos maçons, mesmo no mundo profano. Por enquanto, mesmo o aprendiz “sabe apenas soletrar”. Logo, não fala verdadeiramente.

Ainda aqui os paralelos não acabam. A referida ligação de João Baptista ao Touro não pode fazer-nos esquecer que a garganta é precisamente regida por esse signo zodiacal, como relembra Plantagenet (14). Wirth considera que este sinal, como que interrompendo a ascensão de fluxos inferiores à garganta, desde logo paixões, teria uma espécie de função de corte, de isolamento do exterior e uma concentração na cabeça, isolada de toda a excitação febril do peito (15).

Ainda na câmara das reflexões, encontra o recipiendário um conjunto de símbolos bastante em evidência, que se destacam do ambiente sombrio, e que o devem interpelar. Alguns têm muito a ver com João Baptista. O primeiro e mais evidente símbolo, é o galo, que obviamente é promessa de despertar das trevas. Também o mercúrio (que todavia tem inúmeras interpretações, consoante a civilizações e os contextos (16) ) é considerado concorde, numa perspectiva alquímica, com o Baptista (17).

Mesmo depois de deixar a sua veste despida de recipiendário, o aprendiz está decorado com um avental branco, de pelo de cordeiro – fazendo recordar o cordeiro de João Baptista, ainda simbolizado entre nós nas festas de São João, em que é, profana mas de algum modo ainda ritualmente, sacrificado. E João Evangelista também será aqui chamado, porquanto falará de Jesus como Bom Pastor (18), e mesmo como Cordeiro de Deus (19). O simbolismo do cordeiro levar-nos-ia muito longe, desde logo à pintura da Adoração do Cordeiro Místico, de Jan van Heyk.

João Evangelista. Se o Baptista nos remete para o Touro e o Cordeiro, o Evangelista é a ?guia. O Baptista, como veremos, ainda não era a Luz, mas dava testemunho dela. A águia corresponde ao momento da revelação da Luz ao postulante pelo Mestre que dirige os trabalhos da iniciação (20). Então é que a águia surge. Mas a águia vem do Egipto, e tem como antepassado simbólico o falcão, que é Hórus, nas suas três formas: o pássaro primordial, cujo olho tudo vê, o faraó, e o filho de Ísis e Osíris. O mais importante é que não saímos do tema da Luz, porque quando o iniciado do Livro dos Mortos egípcio encontra o falcão, afirma: “eu vivo da verdade, sou aquele que existe por ela. Sou Hórus que habita nos corações, o ser íntimo que habita nos corpos” (21). O falcão é luz dos deuses. Como veremos, também a luz estará presentíssima no Evangelho de João.

A águia é o símbolo do Mestre da obra. Segundo Christian Jacq, João teria dito: “Vê a águia: ela voa mais alto do que todos os pássaros, olha fixamente para o Sol e, no entanto, pela necessidade da sua natureza, desce sobre a terra. Assim, o espírito do homem, que se relaxa um pouco da contemplação, transporta-se com mais ardor para as coisas celestes, renovando muitas vezes as suas tentativas” (22).

De João Evangelista possuímos felizmente escritos. Nem todos, segundo se diz, indiscutivelmente saídos do seu punho (como assinala, por exemplo, um Xavier Léon-Dufour (23) ), mas por si compilados, organizados e aprovados, com o acordo dos seus discípulos, e até a instâncias deles.

Contudo, se temos escritos a ele atribuídos, também temos problemas de autoria. Há quem pense que a lenda de uma enorme longevidade de João Evangelista teria sido um estratagema para que fosse considerada uma mesma pessoa o autor do Evangelho e das Epístolas (que pertenceriam a uma personagem) e do Apocalipse, muito ulterior (que seria obra de um outro autor). Em abono da dissociação de personagens está a análise sintáctica e estilística – que são todavia muito falíveis. Teríamos assim, desde logo para Eusébio, baseado em Dionísio Aeropagita (ou no pseudo-Dionísio?), um Evangelista João e um outro João, presbítero João, com a coincidência de terem vivido ambos na ?sia romana, e de terem sido os dois sepultados em ?feso. Só que em tempos diversos (24).

O mais espantoso que se disse sobre ele é que, na sequência de um concílio maçónico, alegadamente reunido na cidade de Benjamim (onde ficará?), e sendo João bispo de ?feso, teria sido convidado por uma delegação de irmãos a aceitar o grão mestrado da Ordem, então renascida. A mesma fonte (25) faz recuar a Maçonaria a Abraão, e mesmo antes. Não sendo citados nenhuns documentos nem autoridades nesta fonte, permitimo-nos considerar estar perante uma daquelas lendas em que alguns de boa fé acreditam não como tais, mas como realidade histórica, o que só contribui para a confusão. Perante a falta de documentos, não podemos senão suspender o juízo.

Fontes mais esotéricas (ou esotéricas de um certo sentido) apresentam ainda João como Bodhisatva do Mestre Johany, representando a constelação de Touro (embora o signo astrológico seja o de Capricórnio), e tendo o seu nome ligado aos sete mantras sagrados que despertariam nossos sete principais chacras astrais: I E O U A M S. Confessamos que ignoramus. São vias que necessitam de ser ainda muito percorridas, sobretudo por aqueles que tenham mais vocação para elas… ou então precisamente o contrário, como diria Dion Fortune (26). Para que, contrariando a facilidade da vocação, os estudiosos possam dominar de forma mais abrangente, todas as ciências, artes e saberes. Aliás, também do Baptista se diz que foi essénio, ou da ordem gnóstica dos Baptistas, avatar de Peixes e reencarnação do Profeta Elias… Apesar de na Bíblia expressamente ele parecer negá-lo (27)…

De qualquer forma, os escritos nos bastem. E começamos logo pelo Evangelho. As lojas que têm a Bíblia entre as luzes oscilam entre o Salmo 133 (“Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união.”) e o início do Evangelho de João como página de abertura.

O mais rico espólio esotérico é-nos fornecido pelos escritos de João Evangelista, sobretudo o início ou prólogo do seu Evangelho e o Apocalipse, ou Revelação. A questão é muito complexa e extensa para o tempo e espaço disponíveis.

Sobre o Apocalipse pouco se poderá avançar sem o conhecimento e o estudo aturado prévios da exegese, linha a linha, que dele elaborou ?liphas Levi, em Os Mistérios da Cabala ou A Harmonia Oculta dos Dois Testamentos (28). O mesmo autor considera que o Apocalipse é a chave cabalística dos evangelhos (29).

Nada fácil também se revela o Evangelho, sobretudo no seu Prólogo cifrado.

Seria absoluta temeridade, sequer procurar aqui uma interpretação deste Hino ao Logos, que alguns crêem baseado num hino a Jesus. As relações entre Logos, Jesus e Cristo são complexíssimas e fizeram já correr rios de tinta. Atentemos, sobretudo, que, embora o texto original seja em grego, mesmo assim as próprias traduções divergem, e delas se retiram diferentes interpretações, como entre nós sucede com Joaquim Carreira das Neves, autor de um sólido estudo, na perspectiva católica, sobre os escritos de João (30).

Ainda o lugar-comum de Clemente de Alexandria seria o melhor para, numa introdução superficialíssima, explicar a originalidade deste Evangelho, que não se parece com os sinópticos, e que possui este prólogo complexo e belo. Para o autor de Hypotyposeis, João vem tratar das coisas do espírito numa mensagem espiritual (pneumatikon euangelion), depois de os demais evangelistas terem tratado das coisas materiais ou corporais (ta somatika) (31).

É de coisas espirituais que se trata, tratadas com simbolismo, e não de um relato histórico ou biográfico sobre Jesus – se é que alguma vez os evangelhos foram, quaisquer deles, relato histórico ou biográfico. Outro grande comentador de João, já referido, o jesuíta Xavier Léon Dufour, não os considera de modo nenhum históricos, mas, por assim dizer, edificadores e “performativos”, já que o dizer cria (32): como, desde logo, na sentença “Deus disse faça-se a Luz, e a Luz foi feita” (33). Evangelho espiritual, pois, mas não gnóstico, segundo alguns, como Manuel João Ramos (34) e Annie Jaubert, no seu Lecture de L’Evangile selon Saint Jean (35).

A Luz, aliás, está no Evangelho de João de forma muito marcante, desde o início: e os discípulos serão mesmo chamados “filhos da Luz” (36). Terminemos apenas fechando o círculo, ou fazendo convergir as duas linhas, lembrando que João Baptista é uma das figuras centrais do Hino-Prólogo do Evangelho de João Evangelista. Porque ele está intimamente ligado à Luz. Vejamos:

Nos primeiros nove versículos do seu Evangelho, a palavra Luz aparece seis vezes. Ora, João Baptista não era a Luz, mas veio ao mundo para testificar da Luz. E João Evangelista para recordar esse testemunhador, e (ele ou outro seu homónimo) dar por sua vez testemunho das coisas a vir, ou das coisas escondidas, na Revelação.

Se acreditarmos que houve mesmo três João, o Baptista, na sua preparação, é aprendiz, o Evangelista, dando testemunho, é companheiro, e o Apocalíptico, revelando, mas ocultamente, é Mestre.

Mas, como é óbvio, o mais importante não são os paralelismos, nem as analogias (em que se pode sempre ver algum exagero de generalização), mas a mensagem em si mesma.

Montesquieu M:. M:.
Julho de 2010

(1) Act. 12: 12 e 12: 25.

(2) Dr. A:. de S:. Lavoisier, Guia Macónica, 3.? ed., Lisboa: Grande Oriente Lusitano, 2003, p. 146.

(3) Irène Manguy, La symbolique maçonnique du troisième millénaire, 3.? ed., Paris: Dervy, 2006, p. 513.

(4) Christian Jacq, Le moine et le venerable, 2.? ed., Paris: Laffont, 1998, p. 39. Traduzi todas as citações neste trabalho.

(5) Vade-Mecum do Apr:. Maç:. Do Rito Es:. Ant:. E Ac:., S. Paulo: Museu Maçônico, Gr:. Or:. De S. Paulo, 1959, p. 25.

(6) Alain Pozarnik, Mystères et actions du rituel d’ouverture en loge maçonnique, Paris: Dervy, 1991, máx. p. 331 ss.

(7) Sobre esta questão, aprofundadamente, v. Paul Veyne, Quando Nosso Mundo se Tornou Cristão, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010. V. Ainda Louis Rougier, O Conflito entre Cristianismo Primitivo e a Civilização Antiga, Lisboa: Vega, 1995.

(8) Joaquim Gervásio de Figueiredo, Festas de São João, Dicionário de Maçonaria, S. Paulo: Pensamento, 1970, p. 434.

(9) Adiante veremos alguns exemplos, alguns dos quais directamente inspirados em Irène Manguy, La symbolique maçonnique du troisième millénaire, op. Cit., p. 312 ss.

(10) Albert Pike, Moral y Dogma del Rito Escocés Antiguo y Aceptado, Benidorm, Alicante, 2008, p. 19.

(11) Por exemplo, Rizzardo Da Camino, Breviário Maçônico, S. Paulo: Madras, 1995, p. 358.

(12) Ibidem, p. 27.

(13) Joaquim Gervásio de Figueiredo, Gutural, in Dicionário de Maçonaria, op. Cit., p. 170.

(14) Plantagenet, Causeris en Loge d’Apprentis, citado por Jules Boucher, La Symbolique maçonnique, 2.? ed., Paris: Dervy, 2002, p. 360.

(15) Wirth, Le Livre de l’Apprenti, p. 148, citado ibidem.

(16) V., por exemplo, Jean Chevalier e Alain Gheerbrandt, Dicionário dos Símbolos, trad. port., Lisboa: Teorema, 1994, p. 449

(17) Irène Manguy, La symbolique maçonnique du troisième millénaire, cit., p. 512.

(18) Jn. 10:11; 10, 14.

(19) Jn. 1: 29: “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”

(20) Christian Jack, A Viagem Iniciática ou Os Trinta e Três Graus da Sabedoria, Lisboa: Pergaminho, 1999, p. 121.

(21) Ibidem, p. 123.

(22) Ibidem, p. 126.

(23) Xavier Léon-Dufour, Lectura del Evangelio de Juan, Jn 1-4, vol. I, Salamanca: Ediciones Sígueme, 2001, p. 12 ss.

(24) Eusébio, História Eclesiástica, III, 39. No mesmo sentido, entre nós, Manuel João Ramos, Ensaios de Mitologia Cristã. O Preste João e a Reversibilidade Simbólica, Lisboa: Assírio & Alvim, 1997, p. 333.

(25) Raul Silva, Maçonaria Simbólica, S. Paulo: Pensamento, 2007, p. 64-65.

(26) Dion Fortune, The esoteric orders and their work, 1982, trad. Port. De Nair Lacerda, As Ordens esotéricas e o seu trabalho, S. Paulo: Pensamento, 1997.

(27) Jn 1: 21.

(28) Eliphas Levi, Os Mistérios da Cabala ou A Harmonia Oculta dos Dois Testamentos, S. Paulo: Pensamento, 2009, máx. P. 55 ss.

(29) Idem, As Origens da Cabala. O Livro dos Esplendores, S. Paulo: Pensamento, 2006, p. 129.

(30) Joaquim Carreira das Neves, Escritos de João, Lisboa: Universidade Católica, 2004, máx. p. 103 ss.

(31) Apud ibidem, p. 9; apud Eusebio, História Eclesiástica, VI, 14, 7, etc. – um tópico comum.

(32) Xavier Léon-Dufour, Lectura del Evangelio de Juan, Jn 1-4, vol. I, cit., p. 14.

(33) Gén. I, 3.

(34) Op. Cit., p. 339 ss.

(35) Annie Jaubert, Para Ler o Evangelho Segundo S. João, 2.? ed., Lisboa: Difusora Bíblica, 1994, p. 6 ss.

(36) Jn., XII, 36, embora “condicionalmente”: “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles.”. E a expressão aparece noutros Evangelhos.

in gremiolusitano.eu

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