100 anos de República

Mota Amaral considera “indispensável fomentar a participação” nas celebrações dos 100 anos de República
O antigo presidente da Assembleia da República Mota Amaral considerou hoje, em Penela, “indispensável fomentar a participação” dos cidadãos na vida democrática, contribuindo assim para o aperfeiçoamento da República.

“Uma das preocupações da Constituição do 25 de Abril foi alargar os mecanismos de participação dos cidadãos”, recordou Mota Amaral, ao intervir numa conferência comemorativa do centenário da implantação da República.

Na sessão, promovida pela Câmara Municipal de Penela, o parlamentar social democrata discutiu os seus pontos de vista sobre os “novos desafios” da República com um dos fundadores do PS, António Arnaut, natural do concelho, com quem travou amizade quando ambos integravam como deputados a Assembleia Constituinte eleita em 1975.

Os dois oradores convergiram na ideia de que a ditadura derrubada no 25 de Abril não correspondeu a uma II República, mas apenas a uma interrupção de 48 anos do regime republicano instaurado há 100 anos.

“Só há verdadeira democracia em República”, disse António Arnaut, que citou alguns historiadores, como Reis Torgal e Carvalho Homem, da Universidade de Coimbra, para defender que a II República nasceu em 1974, com o triunfo das forças democráticas.

Admitiu que a I República, entre 1910 e 1926, cometeu erros e, “tal como o 25 de Abril, não correspondeu a todas as expetativas, que eram altas”.

Estabelecendo um paralelo entre a I República e a atualidade, o antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano lembrou que, para os republicanos de 1910, “era a regeneração da pátria que estava em causa”, pois “a situação era desesperada” nos últimos anos da Monarquia.

“Um grande mal da democracia é a corrupção, outro é o clientelismo. Isso traz a mediocridade e o oportunismo”, afirmou António Arnaut.

Para Mota Amaral, que começou por concordar com algumas das afirmações do socialista, “o Estado autoritário distancia-se por completo do Estado republicano” iniciado com a Revolução do 05 de Outubro.

A ditadura, entre 1926 e 1974, “é um período de interrupção do ideal democrático e republicano”, preconizou o deputado do PSD e antigo presidente do Governo regional dos Açores.

Mota Amaral, católico, defendeu, por outro, que “é sempre preciso respeitar a laicidade do Estado”, convergindo também neste ponto com António Arnaut, que se define como republicano e agnóstico.

“Misturar a política com a religião dá sempre mau resultado”, afirmou Mota Amaral, considerando que “os responsáveis políticos devem dar-se ao respeito para serem respeitados”.

Para o social democrata Paulo Júlio, presidente da Câmara de Penela, “um dos desafios que se colocam hoje” à República “é voltar a credibilizar o sistema democrático”, considerando António Arnaut e Mota Amaral “dois senhores da democracia portuguesa” em condições de dar contributos nesse sentido.

Agência Lusa, Publicado em 19 de Junho de 2010

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