Reunião do Povo Maçónico de Lisboa – 20 de Junho de 1910

Circular n.º 12 de 20 de Junho de 1910.

A 20 de Junho de 1910, o Grande Chanceler Geral da Maçonaria expede a Circular n.º 12, dando conta da reunião do Povo Maçónico de Lisboa realizada no dia 14, em que, sob proposta de “Championet” (Machado Santos), foi decidida a criação da “Comissão de Resistência” da Maçonaria.

Circular n.º 12

No dia 14 do corrente, a convite do Sap:. Gr:. Mest:., reuniu-se nesta Or:. o Povo Maçónico desta cidade para resolver tudo o que tivesse por conveniente com respeito às leis de excepção que têm levado alguns dos nossos IIr:. a serem perseguidos e nomeadamente dos decretos e leis respeitantes ao Juízo de Instrução Criminal.

A assembleia com grande entusiasmo e por unanimidade resolveu aprovar uma proposta formada pelo Ir:. Championet, a qual em resumo é a seguinte:

1.º – Delegar no Sap:. Gr:. Mest:. a nomeação de cinco maçons para o constituírem uma comissão de resistência;

2.º – Dar a esta plenos poderes para velar pela segurança dos IIr:., defender a maçonaria dos ataques da reacção política e religiosa, guiando os trabalhos dos OObr:. no mundo profano no interesse superior da Pátria e da segurança dos cidadãos.

3.º – Guardar absoluto segredo sobre a existência dessa comissão, ocultando os seus nomes que apenas devem ser conhecidos pelo Sap:. Gr:. Mest:..

4.º – Que as ordens dessa comissão sejam transmitidas pelo Sap:. Gr:. Mest:. directamente ou por intermédio da Gr:. Chanc:. conforme for conveniente.

5.º – Que nenhum dos IIr:. sobre qualquer pretexto (a não ser doença comprovada por atestado médico) se possa escusar ao cumprimento da ordem recebida.

6.º – Suspender a passagem de attest:. de quite aos actuais OObr:. enquanto se não normalizar a situação geral do país e em particular a da nossa Aug:. Ord:.

7.º – Tornar extensiva a acção desta comissão às diferentes LLoj:. e TTriang:. dos outros vval:. 8.º – Lembrar a todos os IIr:. que quanto maior é o perigo maior deve ser o laço de solidariedade fraternal que os une.

Em assunto de tal magnitude, não pode deixar o Gr:. Or:. Lusitano Unido de comunicar ao Povo Maçónico de todas as LLoj:. e TTriang:. da Obediência a deliberação tomada naquela memorável assembleia; e

isto com três fins: – primeiro, tornar conhecido o facto que vem dar à Maçonaria Portuguesa uma nova feição verdadeiramente patriótica; segundo, exigir a cooperação de todos os OObr:. em actividade, lembrando a necessidade de em todas as LLoj:. e TTriang:. manifestarem o seu parecer com respeito àquela proposta, o que deverá ser feito com a máxima urgência; terceiro, preparar os ânimos de todos os OObr:. para estarem prontos à primeira voz para qualquer serviço de utilidade da Maçonaria que seja cometido às RR:. LL:. E TTr:.

Traç:. Aos 20 de Junho de 1910 (e:. v:.)

O Gr:. Chanc:. Ger:. da Ord:. Prometheu, C:. R:., gr:. 20:.

Circular n.º 12, de 20 de Junho de 1910, de Prometheu [Agostinho José Fortes], Grande Chanceler Geral da Ordem – Grande Oriente Lusitano Unido.

in Fundação Mário Soares

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